Na noite de domingo passado, meus pensamentos tornaram-se mais inquietantes do que o normal, após assistir, no Programa Fantástico, reportagem sobre as cidades de pior Índice de Desenvolvimento Humano.
Nasci e vivo em um país de incontáveis riquezas. Territoriais, naturais e até mesmo econômicas. Onze anos no serviço público me ajudaram a formar algumas opiniões sobre o que precisamos mudar no Brasil para melhorar nossa qualidade de vida.
A maioria das pessoas julga como responsáveis pelo nosso momento, os últimos presidentes da república e talvez nossas leis, nosso capitalismo, ou até, a religião (que condena métodos contraceptivos), a educação, nossa cultura, etc. Quais as soluções para um país que mesmo cheio de riquezas em seu solo permite a falta de água para milhares de cidadãos, que um quilo de tomates chegue a oito reais e crianças sonhem com tabletes de caldo de galinha?
FHC e LULA não são os vilões dessa história. Respeitadas suas diferenças, lutaram e ainda lutam pela melhoria de vida do nosso povo e ambos, tenho certeza, gostariam de resolver todos os problemas do nosso país (apesar da força contrária de alguns integrantes de seus governos). Privatizações, estabilidade da moeda, o fim da inflação, dólares na cueca, Land Rover na garagem, bolsa família? Nenhuma dessas questões nos levará a lugar algum. Mas quem são os culpados? E o que fazer, enfim?
Devemos continuar sonegando impostos com a desculpa conveniente de que eles são desviados? Somos mais ou menos morais, que os políticos, quando fingimos estarmos distraídos dentro de um ônibus, para não oferecer o lugar a um idoso? Quando ficamos calados se algum comerciante nos dá o troco a mais?
O nosso principal problema e também nossa principal solução está na Fiscalização. Não apenas na fiscalização dos recursos públicos. Devemos fiscalizar o único responsável, capaz de transformar essa realidade de corrupção entranhada em nossa cultura. Devemos fiscalizar a nós mesmos. Não o outro. Devemos fiscalizar a educação e os exemplos que damos aos nossos filhos.
Isso me lembra a história do cientista que não dava atenção ao seu pequeno filho, por que precisava encontrar a solução para os problemas do mundo. Ele, para entreter a criança, pegou um mapa do mundo impresso em uma revista, picou em centenas de pedaços e deu ao filho, para ser montado. Em poucos minutos a criança retornou e disse que havia montado o quebra-cabeça. O pai, incrédulo, ao deparar-se com a perfeição do mapa, exclamou: “Isso é impossível, como você conseguiu, você nunca estudou o mundo?!” A criança, com sorriso, respondeu: “Fácil pai, eu não conseguia e montava tudo errado. Até ver do outro lado a foto de um homem. Consertando o homem, consertei o mundo!”
Moisés Barboza