Hoje foi um dia daqueles que revelam tristes realidades...
Se eu tivesse escolha entre uma bela armadura para entrar em determinadas batalhas e grandes quantidades de morfina, hoje eu optaria pelo torpor que provoca o líquido, do que me proteger dos golpes das armas de oponentes.
Quando convivemos em um mundo cheio de interesses pessoais e de pessoas diferentes, estamos sempre preparados para eventuais feridas causadas por estranhos.
Mas e quando as feridas são abertas por aqueles que carregamos próximos ao peito, dentro do coração? A morfina ao menos aliviaria a dor e a tristeza, os pensamentos não seriam tão lógicos e dessa forma não estaria, durante essa madrugada, tão desapontado, desiludido... tão triste.
Dêem-me morfina! Quero momentaneamente adormecer minhas lembranças e questionamentos do que fiz para estar me sentindo dessa forma. Estou triste, muito triste.
Quando nos relacionamos com tantos estranhos e com tantos “conhecidos” esperamos tudo, nos preparamos para sermos decepcionados e até mesmo às vezes traídos por esses que pouco me importo, o difícil de suportar é quando a dor vem de dentro do coração, de nada adiantaria armadura para que pudéssemos nos defender nesse momento.
Pai, eu te peço porem, que não me permita o endurecimento do coração. Permita que eu possa continuar vendo o mundo e as pessoas como sempre vi. Não deixe que eu desvie do meu caminho um só milímetro. Não modifique a minha esperança nos dias melhores e na bondade e integridade dos homens e mulheres que amo como irmãos.
Pai, o Senhor sempre cuidou de nossos corações, hoje te peço: transforme a minha fé em morfina nessa madrugada, para que apenas eu não sinta essa dor que tenho no peito.
Moisés Barboza
21/05/2010
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