terça-feira, 11 de maio de 2010

Pedaço de história...a minha...

- “Mano”. Acorda. Está na hora! (Disse a minha mãe passando a mão em meu cabelo).
Corri pra ver o movimento (todo final de semana era aquilo) casa cheia, música nativista em alto e em bom tom, tradicionalistas de plantão e de finais de semana, autoridades municipais, comerciantes e é claro: políticos. Todos eles na minha casa, isso era incrível e muito divertido pois eu poderia fazer as coisas que eu gostava e até brincar tranqüilo pois todos estariam ocupados com a transmissão da rádio Cruzeiro do Sul e de seu apresentador Sr. Lídio Carneiro da Silva, tido como uma das maiores autoridades políticas da cidade.
- Bom dia, Tio Lídio! Bom dia Tetéu.
- Bom dia, já tirou o freio? Perguntou o meu padrasto.
Fui pra perto da minha mãe, era ela que me dava café com leite e uma bela fatia de pão de meio, ás vezes com manteiga e mel, às vezes com queijo de porco ou “morcilha”.
Dali a pouco eu olhei pra janela e lá vinha ele: O “Marreco”.
-Mãe, olha o Marreco na janela! (O Marreco na verdade era o nome do nosso cavalo, que se deixassem entrava casa adentro, sempre).
-Toma Marreco, toma um bolachão, dizia a minha mãe. (“vovó sentada”, pão em forma de V).
Todos os finais de semana eram assim. Nesses dias a mãe impedia o “Tetéu” de nos acordar muito cedo.
Eu andava à cavalo, brincava com os cachorros e transitava pelos convidados, sempre daquele jeito moleque e meio tímido que andava de lá e pra cá, de pés no chão.
Foi assim, nesse clima que comecei a sentir a importância das relações pessoais e sociais que devemos ter em nossas vidas.
Quando nos mudamos para a segunda casa em Itaqui, atrás do Colégio Osvaldo Cruz, eu acordava, pulava a janela (pra fugir das vistas do meu padrasto) e corria junto dos cachorros que eram chamados de “Zumbi” e “Coelho”, atravessava o potreiro do “Marreco” e do “Tição” (um cordeiro de raça caracu) até chegar na minha casa da àrvore, ficando por lá durante um bom tempo (ou até me descobrirem).

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