O direito de poder votar
Escrito dia 19 de outubro de 2009.
Ao abrir o jornal deste domingo dia 12 de outubro, deparei-me com um já conhecido tema de debate: a obrigatoriedade de votar. Um estudante de jornalismo da PUCRS defendia sua oposição à obrigatoriedade de votar, declarando que pouco se importava, chamando as eleições de “farsa” e criticando as declarações do Presidente do Tribunal Superior Eleitoral, Carlos Ayres Britto: “Eleição não é velório, não é peso....é a celebração da democracia..”
Para me opor a opinião do referido estudante, não faltariam motivos a serem lembrados: As inúmeras vidas de grandes homens e mulheres que morreram para que pudéssemos exercer esse direito democrático, o movimento estudantil de 1968 que confrontou o regime militar, mais tarde a mobilização pela conquista do direito ao voto aos 16 anos, ou tantos outros motivos.
Tenho 30 anos, reconheço naquele texto o ímpeto da juventude que em grande parte das vezes estimula a defesa com paixão de nossas opiniões, isso tudo somado ao descrédito depositado aos nossos governantes, o fim do conceito de que existia apenas a esquerda e a direita (como se política fosse somente um clássico GreNal), a confusão ideológica das atuais campanhas eleitorais, e a falta de encontrarmos um representante merecedor do nosso voto de confiança. Mas esses fatores não podem ser o princípio norteador deste debate.
No ano de 2001, Hermes Zaneti escreveu em seu livro e pesquisa Juventude e Revolução: “...vivemos um momento de grande perplexidade neste final de século. As fronteiras ideológicas tornaram-se tão tênues que a visão mais realista nos dá a impressão de estarmos à deriva, a bordo de um mundo que perdeu seu rumo.”
Ao término de sua obra e após abordar a revolução tecnológica das comunicações e a complexidade dos jovens, Zaneti (não diferente de inúmeros autores e pesquisadores) defende a única e verdadeira saída: o aumento de participação popular no processo político eleitoral.
Não devemos abordar o tema, como se fossemos coagidos e obrigados a votar em alguém, pois a tecla “branco” está lá nos teclados de nossas urnas e infelizmente vêm sido usada em demasia.
Devemos nos perguntar: o Brasil e seus altos índices de pobreza e falta de acesso à educação e cultura, deve transformar o voto em um direito facultativo? Isso não seria um estímulo aos que utilizam poder econômico na compra de votos, carregando eleitores em verdadeiras frotas de ônibus para as urnas, enquanto todos os que possuem um mínimo de condições poderiam optar em saírem ou não de suas residências, de interromperem ou não, seus programas de fim de semana? Se a maioria dos marginalizados e menos favorecidos nem se quer possuem títulos eleitorais atualmente, para que lado penderia essa balança?
Infelizmente uma grande parte do eleitorado não entende mais as eleições como o momento de escolher seus representantes, mas sim o momento de ganhar alguma coisa, de levar alguma vantagem, utilizando seu voto como moeda de barganha.
Por isso, excluir-se do processo de escolha, ou renunciar a esse direito, não é o caminho certo a seguir, tão pouco comparar a política a uma “confraria” de pessoas que querem “chegar ao poder e gozar de uma vida popular”, pois esse tipo de individualismo infelizmente não está apenas só na classe política, mas sim nos homens. Na maioria das vezes, exatamente nos indivíduos que se julgam melhores ou mais conscientes que os outros.
O voto é a única ferramenta que temos para tentar combater pacificamente a atual situação política, escolhendo nossos representantes.
Antes de questionar a obrigatoriedade do voto e de querer ensinar ao presidente do TSE algo sobre consciência eleitoral, uma pergunta: Você está usando a sua, para votar em branco?
Moisés Barboza.
A conquista do voto aos 16 anos (ainda manual)...reparem que havia patrocínio para a cabine de votação.


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