AS FUTILIDADES E O REAL VALOR DOS HOMENS DE HOJE
Peguei-me a pensar sobre as futilidades dos homens de hoje. Percebi o quanto ignorante somos nós e o quanto imbecil é a maioria de nossas prioridades.
Nos últimos anos, venho notado minha intolerância com amigos e colegas de trabalho sobre tantas coisas que eles julgam importantes.
Homens jovens, porém maduros. Tenho três desses na minha sala, dois deles inclusive já são pais e durante os dias de trabalho vi algumas habilidades especiais nestes brilhantes homens de 30 anos de idade.
Ouvi a conversa sem compreender, tratava-se de escalações, contratações de times de futebol e resultados de inúmeras partidas disputadas, por um breve momento fiquei confuso, mas depois compreendi: Eu trabalhava ao lado de “cartolas do futebol mundial”. Mas descobri logo que os times de futebol eram fictícios e que se enfrentavam em chaves automáticas, em competições da rede mundial de computadores, possuindo brasões e nomes criados por cada um de seus donos.
Olhei para o lado e vi com esperança o meu terceiro colega, desplugado desta competição futebolística computadorizada, mas ao olhar mais profundamente percebi que se tratava de um caso mais grave, por suas “características interessantes” acumuladas em apenas um indivíduo. É improvável conseguir calcular o tempo de conexão no msn dele, talvez algo aproximado a 60% de sua carga horária conectado em “janelas piscantes” de onde pouco se aproveita de diálogo e informação. Não sei o que seria da vida daquela figura se proibissem o acesso a este tipo de serviço e se suas janelas piscantes fossem fechadas.
Por falar em “vida”, o que seria da vida dele se não fosse torcer pelo seu time de futebol?! Aí sim, seria suicídio na certa.
Ir ao estádio ou torcer pelo radio e TV é muito mais importante do que a maioria das coisas. Mais importante que os amigos e que os estudos, por isso perguntei: Qual o tamanho da importância em torcer pelo teu time? Ele respondeu: Total, é muito importante pra minha vida!
Aprofundei-me no assunto e um dia perguntei a ele e a outro amigo meu o seguinte: - Vocês preferem acompanhar os jogos do time de vocês, por vezes brigando, por vezes sorrindo ou preferem conversar com um de seus amigos ou passear com suas namoradas? A resposta foi mais rápida e certeira do que a pergunta e antes mesmo de chegar ao ponto de interrogação veio o sonoro: É CLARO QUE SIM!!!
Tentei demovê-los perguntando se alguns daqueles jogadores milionários os conheciam? Se eles poderiam ligar para seu celular pedindo socorro em alguma madrugada, com uma pane no motor, empenhados em uma estrada longínqua?
Responderam que não, pois ligariam para um amigo ou para a namorada. (pediriam ajuda para os mesmos que foram deixados de lado para que pudessem torcer pelo time).
Por aí comecei a notar minha intolerância com as futilidades dos homens e suas inversões de valores. Apesar de torcer pelo meu time e gostar muito de futebol, não supervalorizo isso em minhas prioridades, a vida têm de ser muito mais que isso.
Ao notar em nossas rodas sociais, homens com mais idade e sabedoria, supervalorizando aquisições materiais e mulheres que preferem ver e ouvir suas novelas, do que falar com suas amigas ou até mesmo ouvir os seus filhos, assim descobri que os jovens “trintões” não são o maior exemplo de inversão de valores que posso dar.
Como acreditar ou seguir os valores éticos e morais de homens e mulheres que têm o dobro das nossas idades, se os mesmos jogam suas baganas de cigarro nas calçadas? Soltam discretamente seus lixos pelas janelas de seus carros? Bebem e/ou fumam periodicamente na necessidade de relaxarem ou até mesmo sem nenhum motivo?
Claro que existem hábitos bem piores do que estes, passatempos horripilantes que entorpecem a mente e o espírito, mas como viver nesse mundo tão raro de exemplos a serem seguidos? Onde foi parar a consciência humana e os homens de valor que devíamos seguir?
Onde recuperar a consciência? Onde resgatar nossas prioridades e o nosso real valor?
Antes que me esqueça: meus colegas continuam bem e felizes, com seus times fictícios e suas janelas piscantes, vivendo grande parte de suas vidas em seus computadores.
Moisés Barboza
Figueira das margens da lagoa. Acampamento de novembro de 2009.

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