A incompatibilidade de gênios entre o vice-governador e a governadora é reconhecida e comentada por todo povo gaúcho. Muitos se perguntam sobre as dificuldades geradas por essa difícil relação, entre aqueles que deveriam de forma conjunta administrar o nosso estado. Se não bastasse ser, o telhado de vidro, governadora e vice começaram os seus mandatos como um grande telhado rachado.
Se não bastassem as dificuldades financeiras, administrativas e a impossibilidade de dividir as tarefas de governar o nosso estado, que desdobramentos sofreríamos nessa administração?
Alguns se limitam a falar dos danos que foram gerados, pelas denúncias e gravações intencionais de Paulo Feijó, para divulgar a face obscura das relações entre alguns líderes políticos. Mas foram as Políticas Públicas de Juventude que certamente perderam uma de suas maiores ferramentas, dentro desse conflito entre Feijó e Yeda.
Após diversos governos e longa espera, em 2003 o Decreto 42.316, criou o 1º Conselho Estadual de Políticas Publicas de Juventude do Rio Grande do Sul, o CPPJ.
Comemorado por muitos como uma grande conquista pública, nasceu com a concepção de pluripartidarismo e com a participação dos 3 setores da sociedade gaúcha.
A imprensa noticiou com pompa e circunstância a posse dos 43 conselheiros, realizada com lotação esgotada no Teatro São Pedro em uma belíssima noite de novembro de 2003.
Foram realizados Cursos de Formação de Gestores Jovens, organizados pela Organização Brasileira de Juventude, OBJ e logo após suas primeiras reuniões o Conselho apresentou ao Governo o Projeto Karatê Além do Esporte / CPPJ / Banrisul, que até hoje é reconhecido como exemplo de inclusão social pelo Brasil a fora.
Coredes, Fundação Thiago Gonzaga, Parceiros Voluntários, Faders, Fetag, UEE, Uges, Junior Achievement, OAB e jovens de diversos partidos, escolheram como prioridade fazer uma inédita radiografia do perfil do jovem gaúcho e suas diferentes características regionais, estava criado o projeto “Fala Aí”.
Os veículos de imprensa noticiaram na época o resultado geral: Drogas, Gravidez Precoce, DST’s / AIDS e Educação Proffisional, foram os assuntos mais votados.
Baseado nos índices de preocupação dos jovens criou-se o “Circuito de Palestras Fala Aí”. Diversas escolas e entidades foram atendidas, de forma totalmente gratuita. Milhares de jovens participaram destas palestras com formato de grandes “bate-papos”. Os malefícios do crak, e das drogas usuais eram desmistificados e premiações foram dadas ao Conselho por esse trabalho.
O CPPJ funcionava dentro das estruturas do gabinete do vice-governador Antonio Hohlfeldt que sempre buscou os meios necessários para o desenvolvimento de suas ações.
Hoje os prêmios de reconhecimento, filmes, fotos, cartas de alunos, de professores e diretores de escolas, estão juntos com projetos, e documentos que acumulam pó em uma sala fechada e sem estrutura. Nenhuma palestra mais foi dada...
O CPPJ está inoperante, sufocado dentro do sistema da fogueira das vaidades e das disputas pessoais e partidárias. Pergunto-me todos os dias, qual o motivo disso tudo?
E lembro-me do velho telhado de vidro rachado, que rachou a esperança de jovens que apenas queriam e ainda querem ajudar.